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sábado, 7 de março de 2009

Rosa em botão


Eu vivo de instantes. Hoje eu sou uma rosa, rosa em botão. Eu sinto que ainda não desabrochei. E não vivi. Não criei raízes nem fiz grandes viagens, eu procuro em mim as respostas. Já gostei de rosas, cravos, e o Sol parecia promissor, um amigo. Todos estamos abaixo do céu, mas eu, superficial, não acredito mais em girassóis.

Sou uma rosa que ainda não encontrou seu perfume. Preciso me certificar de que realmente o tenho. Pois eu sou uma rosa que não caibo em mim, eu quero o mundo e eu não tenho nem um jardim. Não há conformidade em ser rosa em botão. Vem a brisa em tédio e a dormência me enlouquece.

E me fecho mais em mim para ninguém ver a dor, para escondê-la do Sol. O Sol não me diz nada, me engana. Não compreendi as indicações, perdi os caminhos. Sim perdida, alguém sem Sol.

Eu sou uma rosa sem cor. As cores vibrantes de mim eu perdi, deixei que a brisa as levassem aos poucos. E me percebo assim, pálida, branca e em botão. O que veio dar errado comigo que não sei florescer. Que não sei ser rosa.

Eu sou uma rosa despedaçada, ainda selada à vida, porém protegida. É que eu tenho espinhos fortes e pontiagudos, os espinhos me protegem de tudo que eu queria para mim, tudo que eu não vivi.

É irônico ser rosa, a fragilidade e a força em fusão. Eu sou rosa que morre a esperar, e a cada dia eu perco uma pétala. Existe em mim uma certeza inquietante de que a vida não vai me colher.

Eu vivo e morro a cada dia imersa em um conflito: o de ser uma rosa simplesmente especial ou de nem rosa ser.