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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Sinto uma nostalgia



Te olho do mar
Te convido a dançar
Te prometo um luar
Mas você não vem.

Te vejo na rua
de andar distraído
Te rio, fico toda
Mas você não nota.

Te quero de longe
Te miro no horizonte
e falo baixinho
que te daria um grande amor.

E te encheria de beijos
Te ninava
Te escrevia
Mas você só está no encanto do verso.

Então emudeço
O luar escurece
O horizonte dissipa
O verso cessa em luto.


O tudo do porvir morre precoce entre linhas.
Novamente.

Thamiris Araujo.



Nostalgia?

"Nostalgia descreve uma sensação de saudades de um tempo vivido, frequentemente idealizado e irreal. (...) O interessante sobre a nostalgia é que ela aumenta ao entrar em contado com sua causa e não diminui como o sentimento da saudade."
In: http://soberanavocacaodeescrever.blogspot.com/2010/04/nostalgia.html

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Rotas

Uma rota de fuga
Uma rota de colisão.

Ouço os malditos entoarem choro e riso:
Todos culpados, todos juízes.
Por vezes colidem com o roteiro de meus passos curtos,
Encurtam meus dias.
Em vidro translúcido me prendem
Eu vejo que é pelo medo e que de nada adianta
Uma prisão que desprotege o dentro e fora
Soltos como bichos.
Partimos e nunca chegamos.

E todos caminham tão rápido
E todas são as direções
Vamos nos perdendo uns nos outros
Como espelhos colidindo

No fim tudo é poeira branca,
Nem cacos
Rotas de fuga para a colisão.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

A Manhã

Nossos corpos, uma manhã
Despertamos para ansiar o dia
Impuros. Um quadro torto.
A face, os membros e a língua
Tudo atravessado por dentes e lábios
Que de juventude e sonhos preferimos não
O não saber, não dizer, só estar.
O não-dito dizendo sinceras elegias
A lástima do nascimento do novo
Em receoso buraco.

E era uma bela manhã de julho.
E fechava o mês
E abria caminhos
E reticenciava sentimentos.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

inventei que o vento me invertia

inventei que o vento me invertia,
escrevi que o crível me recriava,
calculei o canudo que me cabia,
inspirei o poema que me respirava.

é meu modo de mordiscar a coleira,
porque não me fiz frágil nem freira,
parti desde o parto para essa estrada
sem licença para de seda laços
mas de pau e pedra e canetada.

cigana que não se engana nas artimanhas
só espera a espreita enquanto estranha.
para voltar envolta de início
a inventar vento malício.
entoando odes ao ocioso ciclo.

domingo, 18 de abril de 2010

Fim do sonho

Macacos me mordam!
Os céus caíram.
O caos para meu interior mudou-se.
Se não há sentido em buscar o pote,
Aquele do arco-íris
Então não lhe devo confiar
Meu desvario, minha paixão
Posto que a razão lhe presenteio?
Que não se engana com falsos galanteios
Que te avalia, te cansa.