segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Sinto uma nostalgia



Te olho do mar
Te convido a dançar
Te prometo um luar
Mas você não vem.

Te vejo na rua
de andar distraído
Te rio, fico toda
Mas você não nota.

Te quero de longe
Te miro no horizonte
e falo baixinho
que te daria um grande amor.

E te encheria de beijos
Te ninava
Te escrevia
Mas você só está no encanto do verso.

Então emudeço
O luar escurece
O horizonte dissipa
O verso cessa em luto.


O tudo do porvir morre precoce entre linhas.
Novamente.

Thamiris Araujo.



Nostalgia?

"Nostalgia descreve uma sensação de saudades de um tempo vivido, frequentemente idealizado e irreal. (...) O interessante sobre a nostalgia é que ela aumenta ao entrar em contado com sua causa e não diminui como o sentimento da saudade."
In: http://soberanavocacaodeescrever.blogspot.com/2010/04/nostalgia.html

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Tenhoque

Tenho que acordar cedo
Tenho que trabalhar
Tenho que pagar as contas
Tenho que fazer uma faculdade

Tenho que me casar
Tenho que ter filhos
Tenho que ser moça de família
Tenho que acreditar em Deus

Tenho que emagrecer
Tenho que ter as unhas pintadas e cutiladas
Tenho que alisar o cabelo
Tenho que andar de salto alto e maquiagem

Tenho que me divertir nos fins de semana
Tenho que estar sempre bêbada
Tenho que entrar no facebook e no twitter
Tenho que fazer concurso público


Mas eu quero estudar teatro, tocar violão e escrever poesia.
"Arte? você está com muito tempo livre. Vá já arrumar a casa!"

Tenho que tentar não pirar
Tenho que (sobre)viver
Tenho que ganhar dinheiro, ver o noticiário, comprar um carro.

Tenho que acordar cedo
Tenho que...

domingo, 26 de dezembro de 2010

Crônica natalina


O Natal é uma data muito especial, concordam? O evento pré-estabelecido mais popular de nossa cultura cristã. Adorado, principalmente, pelo setor comerciário, o natal é conhecido por ser um tempo de paz, amor...

Natal é tempo de despreendimento! Vamos às compras!

Você resolve comprar algum calçado. Entra numa loja apinhada de gente e logo se irrita porque nada tem preço. Procura um vendedor que está atendando mais 4 pessoas. Ele diz que já vai trazer os seus sapatos. Ele volta 15 minutos depois. Natal é tempo de compreensão! Você experimenta e precisa de um número menor. Espera mais 10 minutos porque o vendedor foi para o estoque e desapareceu por lá. Ele volta, voce faz o novo pedido. Após mais 15 minutos ele trás o sapato requerido, mas, que pena!, não tem mais na cor azul. Cresce um sentimento de revolta, você não precisa de uma sapatilha amarela e sim de uma azul. Mas natal é tempo de reflexão! Você pensa que depois de passar quase 1 hora nessa loja tem que comprar alguma coisa! Você sai com uma sapatilha amarela que nunca quis comprar, mas tudo bem! afinal, eles parcelaram em 4 vezes sem juros. O Natal é tempo de caridade!

Natal também é tempo de união entre as pessoas!

Você volta exausta e cheia de sacolas. Percebe que a fila para pegar um ônibus vai até o meio do terminal. Então, vamos em pé mesmo. O ônibus está lotado e faz muito calor. O idiota do motorista para em todos os pontos sabendo que não cabe mais ninguém no ônibus. As pessoas xingam o motorista. Um homem sobe no ônibus, não consegue entrar, óbvio!, e vai pendurado na porta. Ele diz que se o motorista fechar a porta comprará um problema com ele. As pessoas xingam a mãe do motorista. Um passageiro que estava sentado se oferece para segurar minhas sacolas. é natal. Natal é tempo de solidariedade!

Natal é tempo de sinceridade!

Você compra presentes para os seus familiares por um site da internet. Eles prometem entrega em até 1 semana. Você está tranquila, efetuou a compra com 2 semanas de antecedência. Os dias passam e nem sinal da sua encomenda. Voce já começa a se preocupar. Manda um e-mail para a central de atendimento. No mesmo dia chega uma resposta: "Esta é uma mensagem automática de nossos servidores. Por favor, não responda. Recebemos seu contato e pedimos gentilmente que aguarde o retorno em breve." Natal é tempo de gentileza! Então você aguarda gentilmente o retorno. Não há retorno. Os presentes não chegam. É noite de natal. Você explica sem graça que não trouxe presente para ninguém porque a droga do site não enviou a tempo. Escreve um e-mail nada gentil para a empresa.

Natal é tempo de encontro.

Família reunida! Trocam presentes, se enchem de peru e rabanada, falam mal da parente que não veio, assistem o especial da Xuxa e ouvem pela milésima vez o CD natalino da Simone. E a música lança a perspicaz pergunta: "Então, é natal. E o que a gente fez? O ano termina e nasce outra vez."

Apesar das ironias do natal, para mim esta é, de fato, uma data muito especial. Um feriado socialmente instituído para que abracemos uns aos outros sem constrangimento, sem parecermos bobos. E, como diz minha tia Neide, existe uma energia que flui entre as pessoas e devemos sempre nos cercar de pessoas que nos desejem feliz natal, saúde, paz. Esse é o sentido do natal. As pessoas que celebram a vida, desejando mutuamente uma paz que só encontram no momento do abraço.

Feliz natal (atrasado!)!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Amai-vos uns aos outros


"Que bela imagem nos chega de Barcelona, uma imensa fila de casais gays se beijando à passagem de Bento XVI. É tocante a imagem. Uma bela forma de protesto aos discursos retrógrados do papa, condenando a união homossexual e qualquer outra forma de amor não ortodoxo. As bobagens ditas pelo papa contra o uso de preservativos, por exemplo, beiram a irresponsabilidade. Não adianta que me falem de dogmas, ou de palavras proferidas em desertos por profetas ancestrais. Que se queira acreditar em virgens que procriam ou homens que caminham sobre as águas, tudo bem. Mas a mim, tudo isso parece uma grande bobagem que se leva a sério demais. E que acaba por desrespeitar alguns dos aspectos mais belos de nossa natureza humana, como o amor, exuberante e poderoso, imune às interpretações redutoras e moralistas das religiões.
Só posso me regozijar com as fotos que chegam de Barcelona, nas imediações da belíssima catedral projetada por Gaudí, cujo nome significativo, Sagrada Família, poderia ser compreendido por Bento XVI como uma dica de que a família, por mais sagrada, também muda e se transforma. Como tudo nesse mundo. Que os caminhos de Bento XVI sejam inundados por homens beijando homens e mulheres beijando mulheres. Que o amor atropele o papamóvel com a força transformadora da mudança. Que os beijos gays possam iluminar o papa, e que o façam lembrar-se das palavras do Cristo: Amai-vos uns aos outros.
Uma imagem, afinal, vale por mil palavras."

De Tony Bellotto
In: http://veja.abril.com.br/blog/cenas-urbanas/

Bem, e depois dessas sábias palavras do Bellotto eu só assino embaixo! hahah

domingo, 3 de outubro de 2010

Eleição de mentira

Acabo de exercer o meu direito obrigatório de votar. Disseram-me que tudo é discurso, e bem sei que discurso também é política e ideologia. Gostaria de transgredir os limites fantasiosos de direita e esquerda... hoje votei verde.
Tantos mas tantos papeis esparremados pelo chão com rostos e números dos respectivos políticos misturando-se a lama das ruas. Sujas ruas, boicote a lei que proibe a panfletagem no dia da eleição. Lembraram-me que a democracia que tanto nos orgulha aqui no Brasil é um teatro. Ofertam-nos personagens coadjuvantes nessa peça. Os protagonistas respondem aos que pagaram pelos papéis com suas caras bonitas na lama, não a nós.


No caminho com Maiakovski de Eduardo Alves da Costa

(...) Tu sabes, conheces melhor do que eu a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores, matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

(...)

Vamos ao campo e não os vemos ao nosso lado, no plantio.
Mas ao tempo da colheita lá estão
e acabam por nos roubar até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.
E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição de falso democrata
e rotulo meus gestos com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso, esconder minha dor diante de meus superiores.
Mas dentro de mim, com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Rotas

Uma rota de fuga
Uma rota de colisão.

Ouço os malditos entoarem choro e riso:
Todos culpados, todos juízes.
Por vezes colidem com o roteiro de meus passos curtos,
Encurtam meus dias.
Em vidro translúcido me prendem
Eu vejo que é pelo medo e que de nada adianta
Uma prisão que desprotege o dentro e fora
Soltos como bichos.
Partimos e nunca chegamos.

E todos caminham tão rápido
E todas são as direções
Vamos nos perdendo uns nos outros
Como espelhos colidindo

No fim tudo é poeira branca,
Nem cacos
Rotas de fuga para a colisão.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

A Manhã

Nossos corpos, uma manhã
Despertamos para ansiar o dia
Impuros. Um quadro torto.
A face, os membros e a língua
Tudo atravessado por dentes e lábios
Que de juventude e sonhos preferimos não
O não saber, não dizer, só estar.
O não-dito dizendo sinceras elegias
A lástima do nascimento do novo
Em receoso buraco.

E era uma bela manhã de julho.
E fechava o mês
E abria caminhos
E reticenciava sentimentos.